Ela acorda em um lugar onde sente que pode fazer tudo o que quer, mas não faz. Vive todos os amores, todas as músicas e todas as cores. Ain, que suspiro gostoso o dela! Encontra aquela pessoa que não via há tempos, dá aquele abraço que apesar da distância, nunca saiu da memória. Aquele abraço que a conforta de uma maneira rara. Conversa um pouquinho, se despede, e segue a vida com suas obrigações. Mas logo na outra esquina, encontra aquele amor antigo, em que guarda mágoas, e que tanto gostou, por quem tanto chorou e hoje vê que passou.. que foi algo que todos vivem e depois fica pra trás. O cumprimenta de maneira leve, sem muito a demonstrar e a lembrar. Dá pra perceber que não desejam trocar muitas palavras, nem permencem um com o outro por muito tempo. Não por medo, e sim, por simplismente não desejarem. Quando ele acaba de passar por ela, ela pensa: Eu devia me arrepender de como me submeti a situações que sempre disse que nunca me submetiria. Mas, aconteceu, foi bom pra aprender a me colocar antes de alguém, que nunca pensou em me colocar em primeiro lugar. Nunca poderia ser feliz alí." E continua seu caminho.. com a cabeça erguida, um certo ar de orgulho por ter deixado aquilo pra trás. Resolve então dar um pulinho na casa dos seus avós, conversa com eles, olha todo aquele momento e pensa o quão incrível é chegar aos 90 anos repleto de conhecimento, experiências, aprendizagens, histórias pra contar. Sai de casa, resolve se permitir um pouco de diversão. Vai encontrar aquelas amigas que fazem falta, que se encontram em uma rotina completamente diferente de meses atrás.. e a noite se faz de gargalhadas, danças, e olhares, olhares de pura compreensão. De que sabem que por trás daquela noite, há lágrimas tristes, mas pra que lembrar sempre delas? E naquele momento elas se esquecem de tudo que é ruim, e procuram viver aquele agora. Esse momento adquire beijos, carinho, olhares.. não os mesmos olhares de antes. O acontecimento agora gira em torno de um homem e uma mulher. Se conhecem, mas ainda não se conhecem. Como assim? A questão é que a gente nunca conhece o outro completamente, e na verdade, nunca vamos conhecer ninguém completamente. E esquece todo esse pensamento.. só pensa em como aquele beijo é bom, que se pudesse, ficaria pra sempre naquela cena, em que não há preocupações. Só um único pensamento: Como é difícil parar um beijo bom. Até dá uma risadinha depois.. ousa pensar sobre sexo. Estipula que se o beijo é bom, o sexo também deve ser. Mas aí depois pensa que pode ser cedo. Cedo pra quem? Pros que julgam? Ela se vê em um mundo que deseja, porém não daquela forma toda que ele se encontra. Quer se entregar totalmente, e esquece aquele domínio todo que a sociedade podia fazer nela. Prioriza todas as suas vontades. Resolve ir pra casa, ele a acompanha. Conversam, bêbados ou apenas cansados. São tantos assuntos, tanto a falar, que ela até se perde. Ela quer chama-lo pra subir e assim se conhecerem um pouquinho mais.. está ciente de que pode fazer o convite, que ele não vai julgá-la.. e é aí que ela acorda do sonho e ele não existe mais.
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