sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"sim, eu te amo 
pela delicadeza que me negaste 
e pelos belos olhos azuis 
que não tens. 
amo-te porque nada mudaste em minha vida 
quando podias 
(e eu pedia). 

sim, eu te amo 
porque me relegaste 
à condição de traste 
nesse achados & perdidos 
da rua dos mascates número zero 
à espera de um encontro: 
ponto. 

te amo 
porque jamais compreendeste 
o que é amar 
por nunca teres me reparado de fato 
(ou acordado algum afeto); 
por fugires no terceiro ato 
levando contigo a cantiga 
e o teatro. 

amo-te 
com a volúpia da letra erre 
que sonha tomar o lugar do hífen 
e revelar o teu legado 
no próximo verso: 
amo-te!"

Marcos Caiado

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