"sim, eu te amo
pela delicadeza que me negaste
e pelos belos olhos azuis
que não tens.
amo-te porque nada mudaste em minha vida
quando podias
(e eu pedia).
sim, eu te amo
porque me relegaste
à condição de traste
nesse achados & perdidos
da rua dos mascates número zero
à espera de um encontro:
ponto.
te amo
porque jamais compreendeste
o que é amar
por nunca teres me reparado de fato
(ou acordado algum afeto);
por fugires no terceiro ato
levando contigo a cantiga
e o teatro.
amo-te
com a volúpia da letra erre
que sonha tomar o lugar do hífen
e revelar o teu legado
no próximo verso: amo-te!"
Marcos Caiado
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