sábado, 21 de maio de 2011

No sono

Noite urbana. Noite de pessoas que dormem e de outras que não conseguem. Noite de pensamentos rápidos que embalam o sono. Noite de medos e de incertezas que os fazem desaparecer. Noite dos pensamentos e dos amores para abrir estes braços a novos mundos. E tudo parece sereno. Uma leve brisa noturna, uma ou outra nuvem parece deslizar sobre esse tapete azul. Porém, a noite não está tranquila de jeito nenhum.
Eu lembro como se fosse ontem a respiração leve que tinha quando dormia, tão leve que precisava se aproximar dela para conseguir ouvir. E inspira profundamente, sua fragância delicada, seu cheiro único, esse frescor, o encanto que transmitem essas mãos, agarradas a seu personalíssimo mundo. Por um instante minha mente se move a toda velocidade por mares, montanhas, outros países, rios lagos, e de novo a terra para chegar ali, a essa praia. E vejo você, longe. O sofrimento cresce, se transforma em raiva, e nota em silêncio seus olhos opacos e um enorme vazio por dentro. Sofre, mais antes de deixar cair a primeira lágrima, vai até a sombra. E a calma volta lentamente, de forma difusa, como essa luz que ilumina o mar. Inspira profundamente. Outra vez. E a dor se aplaca pouco a pouco. Um pensamento fugaz que se afasta como uma gaivota voando rende às ondas maldivas. Sente uma amarga certeza: você cresce, experimenta, aprende, acha que sabe como as coisas funcionam, tem certeza de ter encontrado o segredo que permitirá entender e enfrentar tudo. Mas, depois, quando menos espera, vê que não é nada disso. A única coisa que consegue entender é que o amor não lhe pertence, esse mágico momento no qual duas pessoas decidem ao mesmo tempo viver, saborear a fundo as coisas, sonhando, cantando na alma, sentindo-se leves e únicas. Sem possibilidade de pensar muito. Enquanto as duas pessoas quiserem. Até que uma das duas vai embora. E não haverá modo, fatos ou palavras que possam fazer o outro ouvir a razão. Porque o amor não responde a razões. E tento escrever agora a palavra "fim".

(#)

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